A IA já entrou nas empresas. O que ainda falta é capacitar o time.
As pesquisas da semana mostram os profissionais adotando IA por conta própria, enquanto a maioria das empresas ainda não treina ninguém. O gargalo deixou de ser a ferramenta e virou gestão: capacitar o time e implementar com estratégia.

Resumo rápido: uma pesquisa publicada esta semana com profissionais da contabilidade mostra que 78% já usam IA no trabalho toda semana, mas 68% dizem que a empresa não oferece nenhuma capacitação sobre o assunto. Junte isso com os dados de adoção do país, e o retrato fica claro: a IA já entrou pela porta, trazida pelas próprias pessoas, só que sem treino e sem estratégia por cima. O gargalo parou de ser a tecnologia e virou gestão. E é aí que a IA empodera o time, em vez de virar mais uma ferramenta ligada no escuro.
O que você perdeu sobre IA
Se você só tem dois minutos, é isto:
- Os profissionais já adotaram a IA: numa pesquisa com contadores brasileiros, 78% usam ferramentas de IA ao menos uma vez por semana e 53% usam todo dia (IOB, Fenacon e Conselho Federal de Contabilidade, publicada esta semana).
- Mas a empresa não está capacitando: 68% dos mesmos profissionais dizem que a empresa não oferece nenhum treinamento em IA, 62% classificam o próprio conhecimento como básico e só 5% se dizem avançados.
- A adoção geral cresce, e é desigual por porte: o uso de IA nas empresas brasileiras subiu de 13% para 17% em um ano, mas nas grandes é 50% e nas pequenas, 15% (Cetic.br, TIC Empresas 2025, divulgada em junho).
- O próximo passo já tem nome, agentes: o Brasil aparece à frente da média global no uso de agentes de IA, 18% contra 13% (relatório da GFT com base em estudo da BCG, junho).
Agora o detalhe, e o que muda pra sua empresa.
Quem usa IA na ponta já decidiu. A empresa é que ainda não chegou.
O dado mais interessante da semana veio da contabilidade. Uma pesquisa do IOB em parceria com a Fenacon e o Conselho Federal de Contabilidade ouviu 393 profissionais de todo o país. O resultado: 78% já usam IA no trabalho pelo menos uma vez por semana, e mais da metade usa todo dia.
Repare que ninguém esperou um projeto oficial. O profissional foi lá e começou a usar, porque resolve o dia dele.
O problema aparece na linha de baixo: 68% dizem que a empresa não oferece nenhuma capacitação em IA. E o autorretrato de conhecimento é modesto, 62% se dizem básicos, só 5% avançados. Ou seja, a ferramenta entrou por baixo, pelas mãos das pessoas, e a empresa ainda não subiu pra organizar isso: sem treino, sem critério comum, sem definir o que a IA faz e o que continua sendo decisão de gente.
É um descompasso perigoso. IA usada sem capacitação vira atalho sem revisão, e num trabalho técnico como o contábil, atalho sem revisão é risco.
A adoção cresce, mas o retrato é desigual
Para dimensionar, vale um dado um pouco mais antigo, de contexto. A pesquisa TIC Empresas 2025 do Cetic.br (divulgada em junho) mostrou que o uso de IA nas empresas brasileiras passou de 13% em 2024 para 17% em 2025.
O detalhe que interessa pra quem é PME está no recorte por porte: nas grandes empresas a adoção chegou a 50%, enquanto nas pequenas ficou em 15%. A distância não é de acesso à ferramenta, que hoje está a um login de qualquer um. A distância é de estrutura: quem tem processo, dado organizado e gente treinada extrai valor; quem só liga a ferramenta, não.
E o movimento seguinte já está em curso. Um relatório da GFT, também de junho, com base em estudo da BCG, aponta o Brasil à frente da média global no uso de agentes de IA (18% contra 13%), aqueles sistemas que não só respondem, mas executam tarefas. Como resumiu um executivo do estudo, a vantagem vai para quem combinar agente de IA com "redesenho de processos reais e verdadeiro empoderamento das pessoas". Guarde essa última parte.
O gargalo virou gestão, não tecnologia
Junte as três notícias e sobra uma frase: a IA já está dentro das empresas, mas o resultado dela não depende mais de ter a ferramenta. Depende de capacitar quem usa e de implementar com estratégia.
Isso é uma boa notícia pra pequena empresa, e não uma má. Significa que a vantagem não está reservada a quem tem o maior orçamento de tecnologia. Está com quem organiza o básico: decidir quais tarefas a IA assume, treinar o time pra conduzir e revisar, e manter a pessoa no comando das decisões que pedem julgamento.
É exatamente esse o trabalho da TheMindsCrafters: não vender mais uma ferramenta de IA, e sim ajudar a implementar com estratégia, com o agente certo na tarefa certa e o time capacitado pra comandar. A IA tira a tarefa repetitiva. As pessoas ficam com o critério, a relação e a decisão. Empoderar, não substituir.
Se 68% das empresas ainda não treinam ninguém, a pergunta pra você é simples: no seu negócio, a IA que já está sendo usada está sendo conduzida com estratégia, ou ligada no escuro?